A mulher virtuosa e eu
Deus foi sempre
muito bondoso comigo. Ele me dotou de talentos e habilidades e eu falo isso com
toda a humildade que há no meu coração. Mas isso fazia com os elogios vindos
das pessoas da minha antiga comunidade fossem freqüentes. A Samara era o “bom
partido” da igreja. Eu cantava, tocava, ensinava, decorava, criava, participava
ativamente das programações e isso era o que eles julgavam ser “mulher
virtuosa”. Inclusive, sou grata a Deus por ter me livrado sempre dos distúrbios
relacionados ao ego no período que estive lá.
Mas aí conheci a fé cristã e descobri que haviam coisas mais relevantes esperadas de uma mulher
virtuosa, que os critérios bíblicos eram diferentes dos critérios usados pelo mundialmente. Isso foi maravilhoso e me motivou demais a buscar em Deus tais
características. Deus pôs amor em meu coração pela sua palavra e isso foi o stopim da construção da Samara atual.
Mas eu sou humana.
Como diz um amigo, “eu sangro, choro e sou sujeita a erros”, estou
constantemente inclinada para o mal. Mas como numa música que cantei a Deus “A
realidade de quem eu sou, revela quem Tu és. O mal que há no meu coração
evidencia Tua graça”. Aquilo que eu mais temia que me acontecesse estava
acontecendo: Eu estava me convencendo de que eu era uma boa mulher para que
alguém casasse. Eu tinha ciência dos meus defeitos, sim, e orava a Deus pelos
tais. Mas no íntimo do meu ser, minha maldita natureza carnal me dizia: “Feliz
daquele que te tiver como esposa”. As conseqüências disso: eu tinha as
motivações erradas para permanecer numa vida santa.
Entenda que ser
ciente das nossas virtudes não é algo ruim. Entender que Deus nos agraciou com
qualidades é saudável. Claro que isso deve vir acompanhado do entendimento de
que somos seres pecadores, maus e necessitados da Glória de Deus para que não
seja formado em nossa mente uma percepção errada de nós mesmos.
Como mulheres
solteiras à espera de um marido, é importante que conheçamos o padrão de Deus
para nós e a nós mesmas. Isso nos desafia a ir em busca daquilo que nos falta e
a deixar de lado coisas que nada nos acrescenta.
Foi quando conheci
A Mulher Virtuosa. Tudo aconteceu no 1º Encontro de Mulheres Piedosas com as
mulheres da minha congregação. Tive o prazer de ouvir uma exposição linda do
capítulo 31 do Livro de Provérbios por uma irmã nossa e choquei. Enquanto ela
pregava eu pensava comigo mesma o quanto de coisas ainda me faltava e estava
convencida de que a Palavra de Deus havia esmagado a mim e eu só o louvava por
isso. Cada célula do meu corpo engrandecia a Deus e o louvava por ter sido
convencida do pecado. Não importa o quão boa você se ache, sempre que der de
cara com a grandeza e a perfeição de Deus, todo a sua boa imagem de si será
destruída e você estará convencido de que Deus é o único que pode ser chamado “bom”.
Terminei a noite
motivada e completamente destruída, despejada, entregue ao oleiro e plenamente
confiante de que, na minha incapacidade de ser a mulher virtuosa, ele mostraria
a Sua Glória. Eu parecia levitar. Eu não tinha ouvido nada que me acariciasse o
ego, nada que fortalecesse a visão errada que estava de mim mesma, mas, ainda
assim, eu glorificava ao Senhor.
Pós isso, eu não
poderia deixar de falar, tive dois dias bem difíceis. Minha “nova condição
mental” foi provada severamente. Horas depois estive sujeita a minar a palavra
que havia sido plantada no meu coração. Fui duramente instigada a agir
contrário Provérbios 31. Admito que havia anos que não vivia algo tão
assustador e sério, mas Deus, em sua bondade me sustentou e continuo disposta a
louvá-lo com os meus pedaços.
Eu concluo com
alguns fragmentos de uma oração do Agostinho de Hipona que bem descreve o que
sinto
“Mas
tu te compadecestes de mim e tudo mudou porque Tu me deixaste conhecer-Te.
Entrei no meu íntimo sob Tua guia e o consegui porque Tu te fizeste meu
auxílio.
Mas
Tu me chamaste, clamaste por mim e Teu grito rompeu minha surdez.
Me
fizeste entrar dentro de mim mesmo.
Para
não olhar dentro de mim, eu havia me escondido.
Mas
Tu me arrancaste de meu esconderijo e me puseste diante de mim mesmo a fim de
que enxergasse o indigno que era, o quão deformado, manchado e sujo estava.
Brilhaste,
resplandeceste sobre mim e afugentaste minha cegueira.
Exalaste
Teu perfume e respirei.
Agora
suspiro por Ti.
Anseio
por Ti, Deus.
De
quem separar-se é morrer. De quem aproximar-se é ressuscitar. Com quem habitar
é viver.
Deus...
De quem fugir é cair. A quem voltar é levantar-se. Em quem apoiar é estar seguro.
Deus...
A quem esquecer é perecer. A quem buscar é renascer. A quem conhecer é possuir.
Provei-te
e agora tenho fome e sede de Ti. Tocaste-me, e agora ardo por Tua paz.
Vi
dentro de mim a luz imutável, forte, brilhante!
Quem
conhece a Verdade, conhece esta luz.
Ó
eterna verdade! Verdadeira caridade! Tu és o meu Deus!
Por
Ti suspiro dia e noite desde que te conheci e mostraste-me, então, quem eras.
E
irradiaste sobre mim a Tua força dando-me o Teu amor.
E
agora, Senhor, só amo a Ti, só sigo a Ti, só busco a Ti, só ardo por Ti.
Tarde
te amei! Tarde te amei!
Oh,
beleza tão antiga e tão nova, tarde demais te amei.”
(Santo
Agostinho, Confissões 10, 27-29)



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