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A VALETA (Crônica)



Havia uma valeta próximo à casa do Sr. E da Sra. Matos e pra que chegassem em casa, inevitavelmente precisavam passar por ela. Há vinte anos atrás, a Sra. Matos vinha andando em direção à sua casa quando seu molho de chaves caiu na valeta. Assustada e preocupada como iria ter as chaves de volta, chamou um garoto e lhe ofereceu um trocado para que pegasse as suas chaves dentro da valeta, pois ela, sabendo o tanto de vermes, bichos e bactérias que tinha lá, não teria essa coragem.
Os anos se passaram e o causo das chaves estava bem vivo na memória da Sra. Matos. Sempre que passava com o Sr. Matos pela rua da valeta, lembrava fielmente de contar:
- Um dia, minhas chaves caíram nessa valeta. Exatamente aqui! Eu fiquei com muito nojo de pegar, chamei um menino, dei um trocado, ele colocou a mão num saco plástico e ele pegou minhas chaves.
- Hum. – Era a única coisa que o Sr. Matos conseguia responder depois de ter ouvido aquela história várias vezes.

Como até o próprio Jó perdeu a paciência, o Sr. Matos não agüentava mais. Na semana seguinte, passaram pela valeta mais uma vez e quando a Sra. Matos começou a contar:
- Há uns anos atrás, minhas chaves caíram nessa valeta e...
- Julieta, já chega!
- Como é?
- Eu ouço essa mesma ladainha há mais de 20 anos. Tenha dó dos meus ouvidos! Eu já sei que as suas chaves caíram aqui, que você estava com nojo e que não pegou as chaves e...
- Eu falei do menino?
- Falou. Esse bendito menino que pôs as mãos num saco de plástico... Me poupe, Julieta! Não agüento mais essa ladainha de 20 anos. Você está proibida de repetir essa história mais uma vez.
E assim aconteceu. A Sra. Matos nunca mais falou do causo das chaves. Passaram uma, duas, três vezes pela mesma valeta e ela nunca mais repetiu a história.
Até que na quarta vez, eles passaram pela valeta e o Sr. Matos comentou.
- A memória humana é algo surpreendente, não é, Julieta? Tem coisas que a gente nunca esquece.
- É sim, querido. Mas o que houve?
- As suas chaves.

(Baseado em fatos reais. Dedico aos meus pais, os reais protagonistas dessa história e à memória humana.)

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