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[CRÔNICA] Guarda-chuva


- Eu devia ter trazido aquele guarda-chuva hoje! - Resmungava Sônia no meio de uma chuvarada, de dentro da cabine telefônica. Já fazia alguns minutos que estava ali. Caminhava pra casa quando a chuva forte a alcançou e ela entrou na cabine. Por sorte, não havia se molhado.

Não estava muito longe, morava há apenas um quarteirão dali, mas havia decidido que não iria se ensopar toda a fim de chegar mais cedo. Estava disposta a esperar a chuva passar.

- Sônia!? - alguém chamava do lado de fora dando algumas batidinhas no vidro. Era a vizinha do 308 carregando um minúsculo guarda-chuva. - Não quer pegar uma carona comigo?
Sônia calculou o tamanho delas, do guarda-chuva, vezes a intensidade da chuva e a força do vento e concluiu que as chances de chegar seca eram mínimas. Mas como iria dizer isso à vizinha? Imediatamente tirou o telefone do gancho e falou apontando: - Não, Rita, obrigada. Preciso fazer uns telefonemas. Ambas sorriram e a vizinha se foi.
E tome chuva!
Minutos depois, alguém chamava do lado de fora.

- Dona Sônia! Ela ergueu os olhos e viu um grande guarda-chuva preto com hastes de metal. O tamanho era perfeito. Não importa quem a estava chamando, dessa vez ela iria. Desceu o olhar com o sorriso no rosto e frustrou-se. Era o Jorginho do 601. O guarda-chuva era enorme e ele também.
- Gostaria de ir comigo?
- Não, obrigada, estou esperando uma ligação. - Falava apontando pro telefone.
- Posso lhe esperar.
- Naaao! Não quero ser um incômodo. Pode ir.

Só podia estar sendo um castigo. Será que ela não tinha o direito de chegar em casa seca depois de um longo dia de trabalho?
- Acho que vou pedir um táx...
- Soninha?
Era o Beto, o gato do apartamento ao lado. Olhou pra cima e viu que o seu guarda-chuva não era dos maiores, mas com certeza seria um pretexto pra que ele pusesse o braço em volta dela e eles fossem abraçados até em casa.
- Quer uma carona?
- Claro, Beto.

Sônia só esqueceu-se calcular que o Beto tinha mais de 1.80m e, naturalmente, ergueria o guarda-chuva de acordo com sua altura. Ela não passara dos 1.55m e tinha que franzir os olhos pra não molhar dentro deles porque todo o rosto já estava molhado. Sônia descobriu também que Beto não é muito fã de andar colado nas pessoas. Ele mantém uma distância mínima de 60cm e levava sempre o guarda-chuva com ele. Devido as pernas compridas, Beto tinha um passo mais acelerado e Sônia, praticamente, tinha que correr pra acompanhá-lo e nem sempre dava tempo de desviar as poças de lama. Vale frisar que o Beto era bem conversador. Gostava de contar histórias, rir e gesticular bastante esquecendo que estava segurando um guarda-chuva.
- Que bom que te encontrei naquela cabine, não é?
- Pois é. Muita gentileza sua.
- Disponha. Mas... Eu não lembro de você estar tão molhada assim.
- Não se preocupe. Eu havia me molhado bastante antes de entrar na cabine.
- Que alívio. Estava achando que era culpa minha. Algumas pessoas não sabem dividir o guarda-chuva corretamente, não é mesmo?
- É.
- Não se preocupam se a outra pessoa está se molhando... Puro egoísmo.
- É.

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